November 28th, 2012

028

Era uma vez um garoto. Tinha a pele levemente morena, cabelos castanhos, olhos brancos. Nunca vira o nascer do sol. Não podia. A cor de seus olhos tornava-nos extremamente sensíveis a luz. O sol o cegaria. Não saia de dia. Exceto em dias de chuva. A luz diminuía. Tirava-o de sua prisão. Amava a chuva. Um dia choveu. Uma chuva forte. Com trovões. Sentou no parapeito do telhado de seu prédio. Via a cidade. Sentia o mundo. Um barulho. É seu gato. Pelo negro, olhos amarelos, um brinco em sua orelha direita. Caminha até o seu dono.

- Que tipo de gato deixa-se molhar na chuva?

- Não que a minha companhia?

- Um amigo é sempre bem vindo.

O felino senta ao seu lado. Silêncio. O garoto fecha os olhos. Sente as gotas caírem em seu corpo.

- A verdade é que a minha caixa de areia está cheia.

Abre os olhos. De um momento filosófico para um momento cômico.

- É por isso que eu evito dar-te muita lasanha.

Olha para baixo. Uma garota bate na porta do prédio.

- Os vendedores não descansam nem durante a chuva.

O gato olha também.

- Não é uma vendedora. Ela deve ter esquecido as chaves.

- Nunca a vi.

- Mudou para o terceiro andar semana passada.

- Como sabe?

- Eu sou um gato. Eu sei.

O garoto se levanta. Com o barulho da chuva provavelmente ninguém a ouvirá. Desce as escadas. Coloca os óculos escuros. Não quer assustá-la. Abre a porta.

- Muito obrigada. Mais um pouco e ficaria toda encharcada.

- Não precisa de tudo isso. Está chuva não mata.

- Mas eu poderia muito bem pegar um resfriado.

- Mesmo assim, está chuva não mata.

Ela não responde. Agita os braços tentando secá-los. Têm a pele branca, curtos cabelos castanhos, olhos castanhos. É bem menor que ele.

- Desculpe-me ter feito você descer. Venha, eu t ajudo a subir novamente.

Ela segura o seu braço. Tem a pele macia.

- Obrigado, mas não sou cego.

- Não? Desculpe-me, é que você está usando óculos escuros aqui dentro…

- Tudo bem, é comum pensarem isto. Eu uso por outro motivo.

- Está com olheiras?

- Não.

- Então um olho roxo?

- Quem dera.

Ela demonstra um de desentendimento. Ele suspira. Tira os óculos. De inicio ela se assusta. Pensa em dizer algo. Provavelmente perguntaria se seriam lentes, mas desiste. Fica a estudá-los.

- São tão belos, mas tristes.

- Não há nada de belo nestes olhos.

- Há sim. E há tristeza também. Solidão pelo medo que eles causam as pessoas. Elas se afastam antes de realmente chegarem perto de você. Acabou que se acostumou com a solidão e o vazio. Já deve até nem perceber mais a diferença de quando está de óculos escuros.

- Como sabe tudo isso?

- Não sei. É como seus olhos me contassem.

Silêncio. Nenhum dos dois sabe o que dizer a seguir. O garoto a encara confuso. Ela corta o silêncio. Diz que precisa ir. Ele sai do transe. Á acompanha até seu andar. Ele terá que subir mais dois ainda. Despedem-se.

Os dois voltam a se encontrar quase todos os dias. Ou noites. Quando os dias são ensolarados a garota vai tocar piano em uma praça dividida por um quatro restaurantes. Durante as noites desses dias ensolarados ficam sentados no terraço do prédio a verem a cidade e as estrelas. Os dias chuvosos eram mais variados. Tocavam piano, cozinhavam, conversavam, assistiam filmes, ficavam na chuva sem dizer uma palavra. Alternavam de apartamentos. Não demorou muito e se tornaram namorados. Estavam sempre os três. O garoto de olhos brancos, a garota de curtos cabelos castanhos, e o gato de brinco. Eram apenas três, mas o garoto não sentia falta de mais nada. 

October 18th, 2012

027

Hoje acordei com o céu chorando
E, em minha infantilidade,
tentei voltar a dormir.
Hoje queria não dizer nenhuma palavra
ficar ao pé de uma árvore 
e dançar com cada uma das suas folhas.
Em minha casa te encontrar
Ler teus traços
beijar teus olhos
deixar teu sorriso me aquecer.
Mas hoje acordei com o céu chorando
e sobe as suas lagrimas
fingi que eram minhas.

September 17th, 2012

A vida/mundo/universo/Deus/cosmos/(de o nome que quiser) é desgraçadamente sádico.

Eu, tranquilo (até que lidando bem) com a minha solidão amorosa, aproveitando o conforto e a pipoca em uma cadeira na primeira fileira enquanto outros se matavam em jogos sádicos de algo que classificam como amor, mas que não passam de uma versão romântica light de drogas psico-emocionais politicamente corretas. Lutam e sofrem em jogos de azar esperando a “verdadeira felicidade” como resultado deste “amor”. Ninguém conhece a deradadeira natureza de Eros.

Até que em um momento aparece ela. Um belo ser de cabelos cacheados escuros, com pensamentos divertidos e interessantes e, por mais incrível q pareça, com uma visão de mundo parecida com a minha. E, além disso, tudo teu corpo tem um perfume hipnotizante…

Vejo-me já pré-disposto a sair de minha confortável posição, já com a espada a mão quando reparo que ela não luta sozinha.

Os Deus pagaram por ter colocado este belo ser já comprometido na mesma turma que estarei pelos próximos 3 anos e meio! Ter que ficar desenhando linhas, discutir questões filosóficas e sociais, apalpar o seu corpo para analisar anatomia, dormir algumas noites em uma cama ao lado da sua devido a intensas horas de estudo sem poder dizer algo romântico e poético que seja sinônimo de “eu gosto de você pra caralho” é trágico. Trágico, mas superável. Acho que só estou fazendo drama porque já faz um bom tempo que não passo por algo assim. As vezes ficamos afobados com a possibilidade de um combate eminente. Mas esta arena já me presenteou com cicatrizes o suficiente para que eu comece a aprender diferenciar melhor quais são os bons combates. As vezes temos momentos assim, em que nos afobamos por algo. Faz parte. Ou pelo menos acredito que faça parte. As vezes me pego em momentos em que percebo que a minha vida não é tão ruim assim, apenas tenho que parar, respirar e relaxar para abrir meu campo de visão e tentar ver mais possibilidades para o meu Tao. As vezes tudo que precisamos é um pouco mais de perspectiva. 

(Source: oscullum)

September 9th, 2012

as historias são suas?
Asketh - abacaxicomleite

sim, todas elas :)

amei seu tumblr
Asketh - abacaxicomleite

muito obrigado 8D

May 14th, 2012

025

E um dia ouvi uma musica
La Valse des Monstres
então vi
todos os monstros
a dançarem livremente
com suas mascaras

Ao sabor daquela doce melodia
todos juntos
a dançarem
a girarem

Dancem, dancem!
como se nunca tivessem sido caçados
dancem pequenos monstros, dancem
está noite
o mundo é de vocês

Dancem, dancem!
dancem com sua verdadeira face
aquela esquecida no fundo da gaveta
cubram esta falsa face humana
e dancem, dancem

Esta noite não precisam se esconder
com os teus pés nus
apenas dancem
e dancem, e dancem, e dancem….

April 30th, 2012

024

Era uma vez uma garotinha que teve um sonho. Neste sonho havia um garoto de chapéu fazendo estrelas de papel e as colando no céu, uma por uma. Trabalhava minuciosamente em cada uma das estrelas e as colava cuidadosamente para não mancharem ou amassarem. A garotinha ficou a observa-lo durante algum tempo e depois se aproximou e perguntou:
- O que está fazendo?
- Estou fazendo uma noite bem estrelada para alguém muito especial.
- Mas o céu já tem estrelas.
- Não no céu desta cidade. As suas luzes apagaram quase todas as estrelas, então estou fazendo novas.
- Me ensina a fazer estrelas?
Então o garoto a ensinou a fazer estrelas de papel e disse:
- Quando você terminar a milésima primeira estrela, esta noite estará pronta.
Então o despertador tocou e ela acordou. Era hora de ir para a escola.
Quando voltou, pegou uma tira de folha e tentou fazer uma estrela. Demorou, mas ela conseguiu fazer uma bela estrela. Lembrou-se do que o garoto havia lhe dito e resolver fazer mais estrelas. - Demora um pouco, mas eu gostei de fazê-las.
E então ela começou a todos os dias fazer algumas estrelas. Ela as fazia de diversas cores e guardava todas em um pote transparente.
O tempo foi passando, a garota foi crescendo. Enfrentou a separação dos pais. Ganhou um cachorro. Teve que dizer adeus a sua única amiga que se mudou para outro país. Teve o primeiro namorado. A primeira desilusão amorosa. Sentiu-se sozinha no colégio. Chorou por quem não gostava dela. Comemorou vários aniversários sozinha. Teve alguns aniversários surpresas. Passou dias inteiros sozinhas em casa. A cada dia, bom ou ruim, ela enchia um pouco mais o pote com estrelas de papel. Até que um dia, ela fez a milésima primeira estrela. A colocou junto com as outras e se deitou abraçada ao pote, mas não conseguiu dormir. Ficou pensando no garoto do seu sonho de anos atrás. Levantou-se e foi ate a varanda. O vento de outono balançava seus cabelos e seu pijama suavemente para o lado enquanto ela olhava para o seu que quase não havia estrelas.
- Eu fiz o que você disse. Venha busca-las.
Silêncio. A garota continuou olhando para o céu.
- Eu fiz as estrelas para a sua noite. Venha busca-las! Cadê você? Elas estão prontas! … Venha busca-las. Venha busca-las… – ela começou a chorar sem desviar o olhar do céu - … eu as fiz para você…
Nenhuma resposta. Ela abraçou forte o pote com as estrelas e se encolheu enquanto chorava.
- Você terminou bem a tempo.
A garota se virou no susto. La é estava ele, o garoto de chapéu do seu sonho, sentando na mureta da varanda da casa. Estava mais velho, mas com o mesmo chapéu. Ele se aproximou e falou:
- E olha só, fez de diversas cores. Ficaram muito boas.
- Obrigada. Agora você pode fazer a sua noite especial.
- Sim, agora eu posso.
O garoto pegou o pote, abriu e colocou em cima da mureta. Esticou os braços para o céu:
- Está pronta?
- Para o que?
O garoto sorriu e puxou o pano preto que cobria o céu. Então se revelou um belo céu, cheio de estrelas brilhantes. A garota admirava tudo aquilo boquiaberta. Eram milhares de estrelas, nunca tinha visto tantas. Cada uma com brilho e tamanho únicos.
- Que lindo…
- Obrigado.
- Isso deve ter dado um enorme trabalho e levado muito tempo.
- Quando se gosta de alguém, se faz de tudo para que ela sorria, até mesmo encher o céu de novas estrelas.
- Essa pessoa deve ser realmente muito importante pra você. Sinto inveja dela.
- Como pode sentir inveja de você mesma?
- Era eu? Você fez tudo isso por mim?
- Sim.
- Então… Porque me pediu para fazer mil e uma estrelas?
- Porque esse é o meu verdadeiro presente. Se você faz mil e uma estrelas de papel dessas, você ganha um desejo, mas este desejo só pode ser pedido em uma noite estrelada, como esta. Desculpa-me por demorar tantos anos para te dar este presente, espero que ele ainda seja útil para você. Agora você pode desejar o que quiser.
A expressão da garota foi mudando gradativamente de “surpresa” para um choro de alegria. Ainda chorando ela o abraçou forte dizendo:
-…obrigada… obrigada…
O rapaz enxugou as lagrimas da garota e sorriu para ela.
- Só tem uma coisa que eu desejo. – Disse ela enquanto pegava o pote com as suas estrelas. – Que você possa ficar.
Ele a abraça novamente.
- Sua boba, não precisava ter gastado o desejo com isso. Era só me pedir que eu ficava.
- Não tem problema. É só fazer todas as estrelas de novo. Temos muito tempo para isso.

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(inspirado nas imagens abaixo. todos os créditos e história original: strangelykatie.tumblr.com)

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April 11th, 2012

gostei tanto que acabei reblogando :3

(Source: strangelykatie, via foreversleepyme)

April 10th, 2012

+ follow
Asketh - mylivealone

obrigado :3

vou ver seu blog

April 9th, 2012

023

Era uma vez eu. Aos meus 12 anos conheci uma garota. Teria sido uma amizade normal, um garoto de 12 anos que atormentava uma garota de 11 anos puxando os cabelos, mordendo, roubando suas balas no intervalo. Teria sido se, pouco mais de dois anos após o primeiro “oi” eu não tivesse percebido que estava apaixonado por ela. Então um dia, quando já estávamos juntos, ela me disse:

- Criei apelidos pra nós.

- Mesmo? Quais?

- Você é Casus e eu sou Nivis.

- Nossa. Mas que quer dizer? Tem explicação?

-  ”Nivis Casus” significa “Avalanche” em Latim. Separados Nivis significa “neve” e Casus significa “caso”. Da certinho. Eu sou calma e suave como a neve. Você é agitado de qualquer jeito e vive “criando caso” com os outros. E quando nos dois estamos juntos e agitados fazemos a maior bagunça, principalmente quando você fica me infernizando. Uma verdadeira avalancha.  

- Você realmente pesquisou tudo isso ou te deram algum cigarrinho de palha?

- Logico que pesquisei, seu bobo. 

- Então você é doida mesmo.

- Talvez. Mas este não é o caso.

- Claro que não, eu sou o “caso”.

Ela riu.

- Para. você entendeu, não é? Você aceita?

- Ok, eu aceito, senhorita Nivis.

Lindo, não é? ah, o primeiro amor… É, foi há algum tempo. Permaneceria, se a vida fosse assim simples. Ela tinha um problema. Seus órgãos estavam falhando. E ninguém sabia o porque. Duas semanas no hospital tentando descobrir o que estava causando o problema. Nivis estava morrendo e eu não podia fazer nada. Ela não foi sequestrada e eu teria que derrotar 10 dragões, um exército inteiro e atravessar um rio de lava fervente para resgata-la. Era pior. Era algo que eu não poderia lutar, que eu não podia derrotar. Eu não poderia salvá-la. Eu não podia fazer nada. 

Eu visitava ela todos os dias, e, em um desses dias, ela me disse:

- Você sabia que a minha avó sabia falar Latim?

- Não, você nunca me contou. Foi com ela que você ficou sabendo que Avalanche é Nivis Casus?

- Sim, ela que me inspirou com os apelidos. Ela me contou sobre um ritual, que era bem antigo.

- Que ritual?

- É chamado de BASIUM EX MORTUUS e é bem simples. Tudo que você precisa é de um objeto pequeno, que seja fácil de se carregar sempre. Pode ser qualquer coisa que dure por vários anos como um colar, um anel, um brinco… Você deve carrega-lo por um certo tempo, não me disseram quanto exato, mas o suficiente para que ele seja totalmente familiar a você. Quando se chega ao leito de morte, ou o momento certo, você deve dar o objeto para a pessoa que mais ama. Se a pessoa aceitasse, ela deve levar sempre consigo o objeto. Até o fim da sua vida. Esse objeto simboliza a pessoa que o deu, o amor dela, e é chamado de “osculum”, que significar “beijo”. Então, ela nunca seria esquecida e nunca deixará de existir. 

- Mas como vou ser capaz de te esquecer? Nem mesmo se trocassem meu cérebro. E você vai ficar melhor. Em breve estaremos em casa assistindo TV, eu vou aceitar até assistir As Meninas Superpoderosas com você.
Ela riu.

- Sim … Eu sei … mas como eu disse, “quando fosse o momento certo”. E agora é.

- E porque agora é o momento certo?

- Porque agora eu tenho certeza que eu te amo.

Eu acho que nunca fiquei tão envergonhado e ao mesmo tempo feliz na minha vida. Ela levantou a cabeça e me pediu para pegar um cordão que estava em torno de seu pescoço.

- É isso. Eu usei por algum tempo, uns 2 anos. Acho que é tempo suficiente.

- Eu sei disso. Fui eu que te dei esse cordão.

- Sim, e isso o torna perfeito. - Ele se ajeitou na cama, e com um tom serio na voz disse - Aquele que chamo de Casus, você aceita carregar este osculum com você até o fim de seus dias?

- Aceito. - Ela sorriu enquanto eu colocava o pingente em volta do meu pescoço. - Acabou? é só isso?

- Não, agora eu teria que te beijar, por isso que o objeto se chama osculum. Mas como sou uma dama, é você tem que… - a interrompi com um beijo. Não prestei atenção exatamente no que ela estava dizendo alem do verbo “beijar” - … me beijar. Agora sim está feito. 

- Interessante… o nome do ritual, como é mesmo? Basio..

Basium ex Mortuus.

- Isso ai, o que quer dizer?

- “Base dos Mortos”, porque o osculum é a base de existência neste mundo da pessoa que já partiu.

- Nivis…

- Ah, tem mais uma coisa. Cada pessoa só pode dar um osculum, e a pessoa que o recebe deve criar seu próprio osculum para um dia realizar o Basium ex Mortuus e assim por diante.

- Quer dizer que um dia eu vou ter que fazer o mesmo ritual com você? Vou ter que escolher um osculumbem legal pra você.

- Sim, de preferencia um brinco bem legal.

- Ok, quem sabe?

E foi assim o dia que eu selei o conheci e selei o Basium Ex MortuusEu tinha 14 anos.

…Três dias depois o fígado dela parou completamente. 4 horas depois ela morreu. Oito dias depois, foi contatado um exame padrão e um transplante de fígado a teriam salvo.



Essa é a minha história.